Para um bom ouvinte indie, costumado com um som intrigante, agradável e viciante, com uma pegada rock, country, pop, tenho um prazer de compartilhar uma paixão sonora com vocês. Neonfaith é um projeto indie eletrônico baseado em Queens NYC e ativo desde 2012. A banda é composta pela vocalista Megan Faye, Lay e Fef. O trio produz sons aventureiros misturando vários gêneros, Electronic, Trip Hop, Psychedelic e Synth Pop com vocais profundos. Os singles de Neonfaith lançados na internet incluem: Escape, Tied Together e Mercury, juntamente com Remix de Lana del Rey, Little Dragon e Duologue. Conheci a banda no youtube com a faixa "Escape" e desde então, vicio musical eterno. Faz parte da trilha sonora de um projeto lindo e psicótico que estou fazendo.
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Para um bom ouvinte indie, costumado com um som intrigante, agradável e viciante, com uma pegada rock, country, pop, tenho um prazer de compartilhar uma paixão sonora com vocês. Neonfaith é um projeto indie eletrônico baseado em Queens NYC e ativo desde 2012. A banda é composta pela vocalista Megan Faye, Lay e Fef. O trio produz sons aventureiros misturando vários gêneros, Electronic, Trip Hop, Psychedelic e Synth Pop com vocais profundos. Os singles de Neonfaith lançados na internet incluem: Escape, Tied Together e Mercury, juntamente com Remix de Lana del Rey, Little Dragon e Duologue. Conheci a banda no youtube com a faixa "Escape" e desde então, vicio musical eterno. Faz parte da trilha sonora de um projeto lindo e psicótico que estou fazendo.
Sofi Tukker é um duo formado pela alemã Sophie Hawley-Weid e pelo ex-jogador de basquete Tucker Halpern. "Daí o nome da dupla, SOFI ( Sophie) TUKKER (Tucker)". Os dois moram em Nova York. Sophie ama tanto o nosso país, sua música e cultura, que se considera brasileira. Ela diz amar o fato de a música "pulsar" em todo o lugar por aqui.
O som deles mistura música eletrônica com ritmos latinos, por conta da paixão de Sophie pelos nossos ritmos, além dos ritmos africanos. Sua canção Drinkee do EP Soft Animals foi indicado para um Grammy 2017 para Melhor Gravação de Dança. Drinkee é adaptado de do poema "Relógio" escrito pelo poeta brasileiro, Chacal, cantado sensualmente entre cowbells, bongos, guitarras elétricas e graves de condução profunda. A banda foi super elogiada pelos críticos de música e por revistas de moda, pelo seu estilo de nos apresentar as músicas.
O som deles mistura música eletrônica com ritmos latinos, por conta da paixão de Sophie pelos nossos ritmos, além dos ritmos africanos. Sua canção Drinkee do EP Soft Animals foi indicado para um Grammy 2017 para Melhor Gravação de Dança. Drinkee é adaptado de do poema "Relógio" escrito pelo poeta brasileiro, Chacal, cantado sensualmente entre cowbells, bongos, guitarras elétricas e graves de condução profunda. A banda foi super elogiada pelos críticos de música e por revistas de moda, pelo seu estilo de nos apresentar as músicas.
Facilmente se nota a paixão da Sophie pelo Brasil, com algumas musicas em português e pela Africa com batidas fortes sincronizados. O duo é uma ótima alternativa de trilha sonora para um social com os amigos no fim de semana em casa quando os pais decidem passar dois dias fora. Ok, não estamos em um filme americano, mas a dica está lançada. ;)
O Clipe de Drinkee é dirigido por Sam Mason, fotografia linda por Matt Daniels e produzido por Macha Tsarenkov.
Recentemente fizeram uma participação legal na COLORS, que é uma revista de música digital focada em shows ao vivo, entrevistas e o melhor do hip hop, soul, pop e música indie.

*E para fechar o ano com os melhores dos melhores deste ano, que tanto causou e aconteceu, eu "Vika" fiquei encarregada de organizar um top5 dos melhores albúns do ano. Como já foi dito, selecionar 5 albúns que representem tão bem tantos artistas que conheci este ano, é uma tarefa muito dificil. Então, escolhi os albúns que eu mais ouvi e que se assemelham com a sonoridade que tanto curti este ano.
Sabe quando você olha um artista, aquela foto linda e bem criativa e descobre que esse alguem é um cantor, então você ouve já sabendo que vai amar? Pois é, isso foi o que aconteceu entre Zella Day e eu. Amor a primeira vista. O Albúm Kicker foi lançado mundialmente 29 de junho de 2015, e é o seu primeiro albúm e muito bom de ouvir. O single Hypnotic explodiu quando tocou a primeira vez na série The Vampire Diaries e desde então não sai das rádios. No Brasil, ela ainda não é nenhuma Lana Del Rey, mas garanto, que seu trabalho é tão bom quanto.
4. Oh Wonder
Bem, o que dizer desse duo formado por Anthony e Josephine? Eles são lindos, e suas músicas são um vício. Conheci a banda esse ano e já me apaixonei, tanto pelas músicas do seu albúm de estréia, como pelos clipes fofos deles. Clássico o som deles como indie alternativo, um pouco folk. As músicas costumam falar de amor, solidão e amizade. Oh Wonder é daquelas bandas que você ouve querendo abraçar o que tiver ao seu lado, deixa seu dia uma maravilha.
Não tem banda melhor para representar o que ouvi de nacional do que os bahianos da Maglore. Eu os classifico como Indie/Folk, e tem uma pegada muito boa e as letras melhores ainda. E não tem como não notar os toques da cultura deles nas letras e melodias. O Albúm III, assim como já dar pra notar, é o terceiro albúm de carreira deles, e meu desejo para ano que vem é ir num show deles, já podem aparecer por aqui, please.
Uma coisa é certa, amo essa banda de coração, e esse amor vem desde seu primeiro trabalho sonoro. A banda folk-pop/Indie lançou seu segundo albúm em julho deste ano e foi sucesso .já na primeira semana, ganhando a nota 3 na Billboard 200, vendendo mais de 61,000 cópias e teve críticas positivas vindo dos sabe-tudo da música. E não tem como não amar os clipes da banda, todos muito criativos e bem produzidos. Então, nada mais justo que a medalha de prata seja dessa banda do meu coração.
E em primeiríssimo lugar com todo o charme e sonoridade, Marina, minha cantora predileta dos últimos tempos. E quem conhece o trabalho da Marina, sabe que ela se transforma a cada trabalho que lança. E nesse albúm ela ta com uma pegada forte de anos 80, com um cabelo lindo e invejável, looks cheios de gliters, frutas como acessórios, uma mistura de sereia e outras drogas. Esse ano ouvi muito o albúm Froot que foi muito bem aceito pelos fãs, assim como eu!
Não tem banda melhor para representar o que ouvi de nacional do que os bahianos da Maglore. Eu os classifico como Indie/Folk, e tem uma pegada muito boa e as letras melhores ainda. E não tem como não notar os toques da cultura deles nas letras e melodias. O Albúm III, assim como já dar pra notar, é o terceiro albúm de carreira deles, e meu desejo para ano que vem é ir num show deles, já podem aparecer por aqui, please.
2. Of Monsters and Men - Beneath the skin
Com o final desse ano, "como já dito", foi decidido fazer um #top5 dos melhores albuns de 2015. É uma tarefa muito dificil, principalmente para alguem que ouve muitas coisas todos os dias. E com muita dor no coração, e com a consciência um pouco pesada por deixar muita gente boa de fora, decidi fazer meu top5 que representasse um pouco tudo que ouço. "Que dificuldade, volto a dizer".
5. Scalene - Éter
Meu quinto lugar é a banda de rock de Brasilia Scalene, que vem conquistando cada vez mais espaço no cenário musical do Brasil. A banda tras elementos de diversas vertendes do rock e as combinando com uma pitada de experimentalismo, criando assim sua identidade forte e viciante. Seu album que vem sendo bem elogiado pela critica e fãs de rock "Éter" dar entrada ao meu top5 de albuns do ano e representa muito bem outros artitas nacionais que tanto ouvi esse ano!
4. Odesza – In Return (Deluxe Edition)
O duo "Odesza" é tudo que eu gosto num som indie eletronico. E o EP "In Return" está no meu top5 com todo o orgulho, e tem uma pegada psicodélica e com batidas hamoniozas que tanto te relaxa como te anima por completo. Sabe aqueles filmes alternativos que tem boas trilhas sonoras que você faz de tudo para descobrir quem está cantando? Pois bem, Odesza é desse tipo, você vai ouvir e não vai mais querer parar.
3. MS MR – Painted
A dupla misteriosa de Nova Iorque que tanto amo, conhecido pelo nome de "MS MR" é um projeto relativamente jovem que é formado pela dupla Elizabeth ou "Lizzy" com "y" como ela mesma se chama, uma pessoa que não é uma estranha para o mundo da música., pois a sua gravadora Neon Gold lançou músicas de Passion Pit, Ellie Goulding e Marina & The Diamonds (LOVEEEEEEE). O outro lado da dupla é Alexandre ou como ele é mais conhecido "Max". E juntos, fazem um som muito, mas muito bom mesmo. Sigo a dupla desde o inicio, e nesse ano, eles nos presentearam com o album Painted. E o que dizer sobre esse album? Bem, muito simples: VICIO ETERNO!
Se você gosta de um pop pscicodélico, então Borns é a voz certa. E minha medalha de prata está muito bem representada. O album Dopamine lançado em 16 de outubro de 2015 pela Universal Music foi recebido com aclamação pelos criticos de música e ficou com a nota 80 de 100. Garrett Borns é um cantor (sim é um boy, e demorei muito para ter essa certeza, rsrs) e multi-instrumentista influenciado pelos estilos pop eletrônico, rock e o folk dos anos 80. Desde a primeira vez que ouvi o som do cara, já virei fã. E nada mais correto, do que Borns representar a medalha de prata dos melhores de 2015.
O duo que ganhou o troveu do melhor do ano de 2015 vai para ninguem menos do que a The Do, com um relançamento. Então, deixa eu explicar porque amar tanto esses dois. Começando pela origem. The Dø é um duo formado em Paris em 2005, formado pela cantora franco-finlandesa Olivia Merilahti e pelo multi-instrumentista Dan Levy. Versáteis, seu som passeia pelo folk, indie pop, rock, hip-hop e eletrônico com a maior naturalidade. Até ai, já dar pra notar o quanto eles são "fodas". Seu primeiro álbum, a mouthful, foi lançado em 2008. O disco chegou ao topo das paradas francesas já na primeira semana, tornando-os o primeiro grupo francês a atingir esse posto cantando em inglês. O segundo disco veio em 2011, Both Ways Open Jaws. O album Shake Shook Shaken foi lançado em 2014, mas foi relançado em 2015 com cinco novas faixas. E se me perguntar qual a melhor faixa, eu confesso, todas!
Concluindo, tivemos um ano muito bom, quando se trata de musica. Então, essa foi minha dificil tarefa em organizar em um top 5 os melhores do ano. Espero que tenham gostado. E compartilhe conosco seu top5 do ano!

Você é fã da banda Strokes? Gosta de todas as músicas? Então, se ligue nisso. Artistas brasileiros independentes se unem num projeto em homenagem aos Strokes. Esse projeto foi batizado de “Is This Indie?” (em referência ao primeiro álbum da banda de Nova York, o “Is This It?”).

Uma das faixas do CD ficou com a Banda UÓ. Os caras regravaram “Last Nite” dos Strokes com o nome “Rosa” e fizeram até clipe. Assiste aí!
A ideia da coletânea organizada pelo Rock ‘n’ Beats é mostrar através das bandas brasileiras como os Strokes vêm influenciando, nos últimos dez anos, muitos artistas.
Todas as músicas serão divulgadas quando The Strokes vierem ao Brasil para tocar no Planeta Terra em São Paulo, em novembro. Não ficou sensacional? Logo a baixo, vocês podem ouvir todas as músicas e escolher qual é a mais foda.
A tracklist:
“Is This It” – Volver
“The Modern Age” – Vivendo do Ócio
“Soma” – João e Os Poetas de Cabelo Solto
“Barely Legal” – Cícero
“Someday” – Sabonetes
“Alone, Together” – Pública
“Last Nite” – Vespas Mandarinas
“Hard to Explain” – Volantes
“New York City Cops” – R Sigma
“Trying Your Luck” – Suéteres
“Take It or Leave It” – Charme Chulo
“When It Started” – Jennifer Lo-Fi
“The Modern Age” – Vivendo do Ócio
“Soma” – João e Os Poetas de Cabelo Solto
“Barely Legal” – Cícero
“Someday” – Sabonetes
“Alone, Together” – Pública
“Last Nite” – Vespas Mandarinas
“Hard to Explain” – Volantes
“New York City Cops” – R Sigma
“Trying Your Luck” – Suéteres
“Take It or Leave It” – Charme Chulo
“When It Started” – Jennifer Lo-Fi
No começo de Agosto, dia 9, HyunA causou
alvoroço no mercado KPOP lançando no Youtube um teaser do seu 4º EP. O vídeo
gravado em Los Angeles aguçou a curiosidade dos fãs e de quem mais se
interessasse. Nos dias que se seguiram, a Cube Entertainment liberou fotos
promocionais e também o título do EP que se chama A+, com lançamento
marcado para dia 21 de Agosto. Além disso, no canal oficial do 4Minute no
Youtube, um teaser do áudio do EP foi liberado dia 17 desse mês, e logo no dia
19 um teaser de 25 segundos do vídeo de Because
I’m The Best também foi
disponibilizado. Loira e mais provocante do que em qualquer outro de seus
trabalhos solo, a sul-coreana lançou horas atrás oficialmente, o vídeo completo
da faixa carro chefe de A+,
afirmando o que o seu mercado já supunha: HyunA vai continuar chocando a
família tradicional Coreana \o/\o/\o/\o/
e, o mais importante para a Cube Entertainment, vai continuar dando o que falar
na Coréia. Depois desse vídeo pensei “Nossa, HyunA vai ser expulsa da Coreia do
Sul a qualquer momento. Rsrs”. Para os fãs de HyunA e/ou de cultura pop da Ásia,
a espera acabou e BECAUSE I’M THE BEST está entre nós, confere
aí...
Como é a primeira vez que HyunA aparece
aqui no Expresso Lunático, convém fazer as devidas apresentações (não se preocupe que a bio é bem curtinha)...
A sul-coreana HyunA, 23, conseguiu fama na Coréia por ter feito parte do girl group Wonder Girls e por ser a
principal vocalista do girl group
4Minute. Em 2010, lançou o bem-sucedido single Change que marca sua carreira solo e paralela às atividades com o
4Minute e com Troublemaker – duo criado pela Cube Entertainment com Hyunseung
do grupo Beast. Ela também é a moça do vídeo viral Gangham Style, do PSY.
Pronto, isso é o bastante, até porquê falar de biografia é inútil já que o
Wikipedia tá aí pra isso, né? E se tiver algum fã dela lendo esse texto, não
vai ser nada informativo falar um monte de coisa sobre a vida dela também (bjo,
p minha amiga Jéssica <3). Logo abaixo o vídeo mais recente do 4Minute,
lançado esse ano.
Então, nesse texto não vou falar de quem é
HyunA, a pessoa, e sim do quê é HyunA, o ídolo criado pela Cube Entertainment.
Antes de mais nada, é preciso esclarecer que o mercado fonográfico do KPOP é semelhante
ao do JPOP, onde a produção em massa de ídolos é feita exclusivamente para
propaganda e para fortificar a cultura de consumo – lembre-se de que estamos
falando da Coreia capitalista (do Sul) e não da Comunista (do Norte). Já falamos desse sistema aqui
antes, então vale conferir pra não ficar boiando. HyunA, assim
como uma série de outros artistas coreanos adentraram com maior facilidade no
Japão graças a BoA, única estrangeira que conseguiu vender mais de 1 Milhão de
cópias no mercado fonográfico japonês.
Advinda
do sistema de ídolos, HyunA precisou construir uma personalidade que despertasse
atenção (na vdd quem constrói é a produtora). O ídolo nesse contexto não se
trata de um talento excepcional ligado a uma boa voz, atuação ou expressão
artística genuína e sim de características subjetivas que causem interesse. A
mídia oriental gosta da música da HyunA porque é da HyunA e pronto, sua figura
justifica sua expressão artística e não o contrário, pois é assim que o esse
mercado funciona. O que lembra Galbraith e Karlin (2012) quando falam de
auto-referenciação em uma cultura midiática que tem nos ídolos seu pilar (é o
caso do Japão e da Coréia do Sul), os autores dizem que há um ciclo não
justificável que apenas acontece, a mídia cria a celebridade, a celebridade
cria o espetáculo e o espetáculo por sua vez será foco de atenção da mídia, que
vai criar a celebridade, que vai criar outro espetáculo que vai pra mídia de
novo, que vai criar outro e outro e outro e outro..............................
Entendeu, né?
HyunA
então construiu sua imagem dentro desse sistema e foi se desvinculando do
rótulo de membro da 4Minute (grupo que por sinal é criação do sistema de ídolos
da Cube Entertainment) para ser uma artista solo, ícone de moda e cultura pop
coreana e uma garota propaganda muito das mais úteis. Com
seu lançamento de 2010, Change, ela
extrapolou barreiras na Coréia no que se refere a música e a performance; o
vídeo de Change recebeu censura +19
em seu país por causa do rebolado da cantora. Você pode até banalizar o que
essa moça representa após ver um de seus vídeos, mas na verdade você estaria
deixando de considerar seu contexto: a música pop coreana não é tão hipersexualizada
como a música pop que conhecemos aqui no Ocidente, sexo na mídia da Coréia não
é tão escrachado quanto aqui. É essa barreira que HyunA parece estar tentando
destruir desde que seu rosto passou a fazer parte das capas de revistas,
tablóides, televisão e mídia geral de seus país; principalmente quando se trata
de sua carreira solo.
Não podemos deixar de considerar seu
contexto, é comum que, ao ver uma foto da artista, a palavra ‘bonitinha’ venha
mais rápido que ‘provocante’, mas isso porque, enquanto ocidentais, temos uma visão
diversa do que é provocante no que se refere ao sexo. Para entender HyunA,
temos de deixar de lado essa nossa cultura que já considera performances
incrivelmente sexuais como algo comum (não é assim no país da moça) e tentar
entender outra visão de mundo. Um exemplo disso é a censura de 19 anos que o
vídeo já mencionado, Change, sofreu,
não há, em momento algum do vídeo, nudez,
a simples sugestão de algo sexual nos movimentos coreografados dos quadris de
HyunA causaram a censura. Percebeu a diferença? Vale lembrar que umas das
faixas de Crazy, último lançamento do 4Minute (Do the first verse: Cut it out), foi banida da KBS
(principal veículo de mídia cultura de massa da Coreia do Sul).
Contraditoriamente, o foco na imagem bela
e meiga, e não exatamente sexual de divas pop asiáticas normalmente é o que
chama a atenção do público ocidental, para nós ocidentais é doce, é fofo (mesmo
os girl groups mais sensuais), para
eles é sexy. Isso ocorre por conta dos estereótipos que criamos, até associação
aos animes, que são japoneses e não coreanos, muita gente acaba fazendo, por
exemplo. Na verdade, uma figura como HyunA chama atenção da mídia oriental pela
mesma razão que Britney Spears chamava a atenção do ocidente no começo dos anos
2000, uma imagem associada ao sexo, o que gera polêmica. Que nem sempre é
interpretada dessa forma pelo público ocidental. Coisa que começa a mudar no
caso de HyunA, já que esse elemento passa a estar cada vez mais presente em
seus trabalhos; seu lançamento desse ano recebeu censura +15 (o que é
surpreendente considerando as cenas de Because I’m The Best). A sensualidade
agora também passa a ser uma de suas marcas registradas, o que iremos constatar
nesse texto. Particularmente acho irritante o fato de muita gente dizer “Nossa!
Tá vendendo sexo que nem as popstars ocidentais!”. Primeiramente, SEXO NÃO É
UMA COISA EXCLUSIVA DO OCIDENTE, asiáticos também transam (quem não sabia,
agora tá sabendo). E, SEGUNDAMENTE,
dizer que cantor asiático fulano (a) de tal não pode pagar de Britney
Spears acusando-o (a) de estar se OCIDENTALIZANDO demais é racismo: quem disse que os asiáticos (ou qualquer outro povo) tem
que seguir os estereótipos que você cria pra eles?
Seu lançamento mais significativo para ascensão
como artista solo foi Bubble Pop!, o primeiro
EP, pois o vídeo da faixa título tornou-se viral e que recentemente redescobri.
O caso é que adoro a música, mas detesto tanta coisa nesse videoclipe e detesto
mais ainda o fato de eu gostar muito desse vídeo. O vi apenas uma vez, no ano
de lançamento e, 3 ou 4 anos depois, a música ainda tava na minha cabeça e
parei de lutar contra. Vejam e tirem suas próprias conclusões (também odiei o
fato de ela estar igualzinha a Stefani do CrossFox na cena da estrada usando
óculos). Gostando ou não, ele bombou como o planejado.
O vídeo foi um hit de verão, recebeu o 9º
lugar na lista de melhores músicas de 2011 da SPIN Magazine. Com um refrão
grudento e que te faz ignorar o fato de a voz de HyunA não ser seu ponto forte
(nada que bons compositores não resolvam com uma letra que facilite sua vida na
hora de cantar). No entanto, esse hit foi o que precisou ser: provocante e, por
consequência, pop (o single vendeu mais de 2,5 Milhões de cópias!). Assim, a
liberdade artística de HyunA para explorar um terreno ousado no KPOP se reflete
em sua música que, por sua vez, serve de desculpa para justificar sua imagem, o
crime perfeito. E a aposta perfeita para Cube Entertainment. Bubble Pop! provou HyunA como uma
artista que se destaca diante de suas colegas do 4Minute e que vende muito. E
isso significa investimento garantido por parte da Cube.
Investimento que no ano de 2012, se
transformou em Melting – seu segundo
EP – e em outro hit da web (3 dias de lançamento, 9 Milhões de acessos), Ice Cream (com feat. de PSY logo no
início), que foi apresentado na lista must-watch
video da U.S. Billboard na semana de lançamento. A mídia britânica, americana,
latina e europeia passa então a se interessar cada vez mais pela moça. Ice Cream é uma música pop comum, com
uma base hip-hop, como tudo aquilo que já se esperava de HyunA, refrão
grudento, bem divertida e versos cantados em rap. HyunA falou um pouco sobre o
conceito de Ice Cream para Robert
Michael da Interview Magazine, “A intenção é derreter todos os ouvintes, que
nem sorvete doce.” (referência ao “I’ll met you down like Ice Cream” da letra).
Assim, seguindo o conceito feito para a música e vídeo de Ice Cream, Hyuna chega no meio de uma bando de manifestantes (que
carregam cartazes com mensagens bem nonsnese
e referências a 4Minute) e os faz parar tudo o que estavam fazendo para dar
atenção a ela e ao seu delicioso sorvete.
Ainda na entrevista, a artista fala que há
uma grade preocupação em produzir algo que os olhos e os ouvidos possam desfrutar.
O que se reflete nas performances dos vídeos como por exemplo o explosivamente
colorido e divertido vídeo em questão. Mais uma vez a cantora traz de forma
sugestiva a sensualidade (couro preto, o cone fálico do sorvete, a câmera que
desliza sobre seu corpo na cena do banheiro com espuma, o moço tatuado e sem
camisa), mesmo que em paralelo a meiguice.
(foto de Ice Cream) (legenda: se você é
ocidental, é provável que você ache Ice
Cream mais fofo do que provocante. Eu acho fofo. Mas o vídeo é bem
sugestivo, e bem provocante pros padrões da Coreia do Sul)
Ser sensual faz parte de sua persona, algo
já esperado por seu público alvo. Acerca disso, não podemos esquecer que seu
público alvo é exclusivamente coreano, seu nome na mídia mundial é apenas
consequência, pois HyunA ainda não lançou nenhum disco para o mercado
internacional. O que quer dizer que ser provocante a cada novo videoclipe é
algo que o público coreano espera dela, a prova disso é que o single de Ice Cream teve vendas muito boas na
Coreia. E isso acaba tendo influência sobre sua liberdade artística; já que sensualidade
seria um elemento do qual HyunA não poderia se desvincular sem que houvesse
consequência nos números de vendas.
(foto de tattoos em Ice Cream) (legenda:
sem falar q sempre que vejo Ice Cream
morro de vontade de telefonar pro meu tatuador e marcar hora p fzr um mooonte
de tatuagem colorida no braço!)
O KISS KISS KPOP (2013) fala que, para os
padrões coreanos, HyunA está explorando sua sexualidade no vídeo de Ice Cream: Ela é subversiva: é ela quem
está no comando o tempo todo durante o vídeo. É ela que é a dona do caminhão de
sorvete, quem atropela um cara e ignora o fato (fria como sorvete tbm? rsrs),
foi o moço da tatuagem que se tatuou com o nome dela. Além disso, “no vídeo,
não é HyunA que acaba com o rosto todo sujo de sorvete, ela é quem suja a rosto
de todo mundo no final com sua mangueira de sorvete. Bem diferente do final da
maioria dos filmes pornôs, não é?” (KISS KISS KPOP, 2013). A cena do banheiro
de espuma é provavelmente a que mais teve repercussão na Coréia; ficou ótima,
mas durante as gravações HyunA teve uma séria reação a espuma em sua pele
devido ao tempo excessivo que ficou exposta à substância L.
Particularmente o momento que mais gosto é esse...
![]() |
| MEU DEUS, QUE CENA MARAVILHOSA!!! |
Em 2014 HyunA retorna com Red, carro chefe de A Talk, seu terceiro EP. No que se
refere à música, Red é
explicitamente diferente dos lançamentos anteriores, ele não gruda de primeira.
A letra é um tanto egocêntrica (como em músicas pop ocidentais), mas é curiosa:
combina uma brincadeira coreana infantil e a traduz de forma a exaltar a
própria HyunA. A brincadeira é assim: uma criança tem que começar dizendo “A
bunda do macaco é vermelha.” O que se segue é “a maçã é vermelha, a maça é
deliciosa, deliciosa banana, a banana é longa, longo é o trem, o trem é
rápido...” O nome de HyunA é colocado nom lugar da maça, logo, “HyunA é
vermelha, Hyuna é deliciosa”.
![]() |
| Capa de A Talk: uma capa dessas faz alguém virar ícone gay em dois tempos. |
Os versos de Red transformam a cor vermelha em algo único, poderoso e sexy após
o primeiro verso cantado “botei meu batom e agora sou vermelha”. Na letra, o
vermelho deixa de ser apenas uma cor e vira audácia: “minha beleza te faz
querer me morder, é como arte e toda noite você pensa em mim que nem ramen
apimentado”. Depois de fazer isso, o refrão se apodera desse novo significado
da cor vermelha: “A bunda do macaco é vermelha (o quê?), a Hyuna é vermelha, a
Hyuna é! (ahh)”. As partes “o quê?” e “ahh”, mostram HyunA percebendo a mudança
de significado da brincadeira, primeiro com admiração “what?” e depois
entendendo o que a letra fez “ahh.”
.
A música é eletrizante e só fica sossegada
momentos antes do refrão que explode. Sobre ter dito que Red não é tão fácil quanto as outras, não há dúvida de que a faixa
representa uma ótima evolução para a carreira de HyunA do ponto de vista
artístico e de mercado, a produção é muito boa, e é um tanto sofisticada. Ouvi
muito essa música depois que consegui destrinchá-la (ainda ouço muito na
vdd...) e, diferente de Ice Cream,
ela não é tão descartável. Por isso, humildemente, acho essa sua melhor música,
tanto na proposta da letra quanto na produção sonora e do videoclipe. Os
produtores conseguiram fazer algo que casa com o talento vocal limitado da
HyunA ao mesmo tempo que reflete o ídolo que eles querem representar, um tipo
de hino de sua consolidação na Indústria. O conceito do vídeo e da música que,
na teoria, buscam refletir a representação que a Cube Entertainment dá pra
HyunA acabam sendo maiores do que ela, isso fica evidente em suas performances
ao vivo da música (no Youtube tem). Sabe aqueles casos em que vemos um
videoclipe muito foda, e a apresentação ao vivo consegue ser tão foda quanto?
Infelizmente, esse não é o caso de Hyuna com Red. Entretanto, mesmo não passando de uma performer comum cantando
no palco, ela consegue se manter focada e com uma postura surpreendentemente
confiante.
O vídeo de Red também trabalha com a transformação que a brincadeira da letra
faz, na verdade evolução. No início o vídeo é só a bunda de um macaco que, de
repente nos leva a uma chuva de tomadas lindas, igualmente absurdas e de
performance. Vamos da bunda do macaco até a realeza (uma Cleópatra aleatória:
WTF?!). Novamente o uso de elementos subversivos; o vermelho não é mais cor é
algo poderoso, a bunda do macaco, não é mais a bunda do macaco, deixa de ser
algo bobo e vira algo importante, a cena em que ela está segurando o microfone
e o entrevistador está do lado de dentro da jaula. Subversivo, subversivo,
subversivo. Red é tão absurdamente
belo e energético como a proposta teria de ser e há elementos visuais
interessantíssimos que nos deixam intrigados e que notamos quando vemos de novo
e de novo. Icônico para o cenário da música pop da Coréia? Talvez. Não teria
argumentos para discordar. Macacos, Cleópatra, batom, objetos fálicos, Hyuna
tirando sarro da sensualidade em vídeos pop (Miley montada na bola de aço,
twerking, Katy no Egito...), dança, maçãs, muito glitter, as cenas, todas elas
são compostas de imagens lindas.... por que não gostar de Red? Ou mesmo, por que não odiar Red? Não é de causar reações neutras. O vídeo não sai da área de
conforto de HyunA e é visualmente atraente, há takes memoráveis considerando os
conceitos usados por quem idealizou toda a fotografia. Não dá pra perder tempo
achando significados, é o que é.
Além disso, a estética de HyunA em Red é totalmente coerente considerando
toda sua carreira solo: de Change até
Red, a transformação, ou melhor, a
manutenção da sensualidade em seus trabalhos foi constante, cada vez mais marcante.
Em uma linha de tempo, temos os polêmicos e censurados movimentos dos quadris
em Change; ousadia, corpos
bronzeados e pouca roupa em Bubble Pop!;
o fofo e sexualmente sugestivo Ice Cream,
batom e salto alto em todas as cenas do mulherão que HyunA vira em Red e finalmente a A+, sexo, drogas, beijo gay... Logo, o mercado, assim como a
fanbase mais significativa de HyunA, notou essa mudança e estava respondendo de
forma positiva a ela, pois mesmo ficando mais sensual a cada novo lançamento,
as vendas de HyunA continuaram boas. A aceitação dessa postura por parte de sua
fanbase faz com que ela seja mantida. Não esqueçamos que, a despeito de sua
popularidade no exterior, a fanbase mais forte de HyunA é o público coreano, é
lá que os números de vendas são maiores e é para esse mercado interno que a
Cube Entertainment direciona seus produtos.
Eclética e básica, HyunA cria tendências?
Talvez. Mas o caso é que ela é uma das artistas que influenciou o investimento
de grandes gravadoras (como a própria Cube) em outros ídolos que também adotam
uma postura mais sexy e se destaca nesse mercado sem sequer um álbum solo
completo lançado ainda. Existe um abismo gigantesco entre os números das vendas
de seus EPs e as vendas de seus Singles. Um álbum completo pode não compensar,
mas o lançamento de algumas faixas para mantê-la na mídia é fundamental. Logo, não
há necessidade de um disco completo no momento. Devido ao seu trabalho no
4Minute, ela só precisa investir em sua imagem e continuar dando o que falar
usando as armas que tem. A construção de uma persona que funciona como deve é o
que a mantém nas paradas, pois como já foi dito, a importância não está na
música da HyunA, e sim na HyunA, é assim que sua Indústria trabalha. Seu
precário talento para atuação, tão evidente nos vídeos do duo Troublemaker e
sua limitada extensão vocal são ofuscadas por performance, estilo,
personalidade e aparência intencionalmente criados pela Cube, pois essas são as
características demandadas por um mercado midiático focado em propaganda e
vendas.
E isso significa que, amando ou odiando,
HyunA continua dando certo. Manter-se relevante em um mercado que trabalha por
meio do idol sistem é um feito e
tanto, em questão de dias a mídia milimetricamente planejada desse mercado pode
fazer alguém vender milhões, em contrapartida, com a produção em massa, alguém
pode ser esquecido e deixar de dar lucros com a mesma facilidade. Sorte dos que
conseguem ser mais do que as vendas, aqueles cuja figura foi capaz de deixar
algo para a posteridade. HyunA tem consciência de como seu mercado funciona e
durante uma conversa com Robert Michael Poole afirmou querer “ser lembrada pelo
público e pela Indústria como uma cantora que tem sua própria cor quando sua
carreira chegar ao fim.” Se HyunA vai conseguir tal feito, não sei, mas ela é
uma figura que conseguiu causar mudanças em sua indústria apenas usando uma
postura forte, confiante, sexy e independente em seus trabalhos, talvez isso
seja um começo. No mais, é aproveitar seu vídeo novo, seu EP de 2015 e quem
sabe se ela vender muito esse ano, logo logo tenhamos seu primeiro álbum.
Carmen Miranda foi a primeira latina a
ter uma estrela na Calçada da Fama, fez um total de 14 filmes em Hollywood e
segue sendo até os dias de hoje a brasileira com maior reconhecimento no mundo.
Seu sotaque carregado (que na verdade era puro marketing) e seu estilo exótico para o público americano fizeram
dela uma ótima aposta para os musicais característicos da Hollywood Golden Age e da Broadway entre as décadas de 30, 40 e 50.
A mídia da época foi responsável por manipular sua imagem transformando-a em um
tipo de estereótipo da mulher latina, imagem contra a qual Carmen tentou lutar,
sem muito sucesso.
De certa forma, Carmen também
representou um tipo de ponte entre Brasil e Estados Unidos em uma época em que
o Tio Sam expandia sua economia pelos países de Terceiro Mundo. Ambos os
governos (Brasil e EUA) usaram sua imagem em proveito próprio. A Pequena
Notável é considerada a precursora do Tropicalismo, e a despeito dos
estereótipos que enfrentou durante sua carreira, suas performances
extravagantes foram sua marca registrada e seu talento ajudou a popularizar a
música brasileira. Carmen, além de ser símbolo da cultura brasileira, também é
referência e símbolo do Cinema Clássico de Hollywood, pois seus números nos
vários musicais que estrelou foram e são únicos. Já dizia Rita Lee, “com tanto
brasileiro por aí metido a bamba, sucesso no estrangeiro ainda é Carmen Miranda!”.
3. Copacabana (1947)
Título
original: Copacabana
Lionel
Deveraux dirige o clube Copacabana ao lado de sua estrela principal Carmem
Navarro (Carmen Miranda) e ambos estão em busca de financiamento. Para
conseguir investimentos de um influente empresário, Carmen acaba fingindo ser
Madame Fifi, famosa performer francesa. A farsa ocorre devido ao fato de o
empresário sugerir que o clube tenha duas estrelas principais. Tico Tico no Fubá é o primeiro número de
Carmen no filme Copacabana.
2. Uma Noite no Rio
(1941)
Título
original: That Night in Rio
Carmen
(Carmen Miranda) é a ciumenta namorada de Larry Martin (Don Ameche), os dois
são estrelas do show bis. Em uma certa noite, o milionário Barão Manuel Duarte
ao lado da Baronesa (Alice Faye) faz uma visita ao clube, é quando percebemos
que Larry e o Barão são idênticos. Uma tramoia onde os papeis de ambos são
trocados é o que sustenta o roteiro dessa deliciosa comédia musical. O filme
abre com a performance de Tchicabum!
1. Entre a Loura e a
Morena (1943)
Título original: The Gang’s All Here Edie Allen (Alice Faye) conhece
o soldado Andy Mason (James Ellison) na casa noturna Club New Yorker. Mas
Andy precisa partir para uma missão de Guerra tendo de despedir-se. Os
problemas começam a surgir quando Eddie e sua amiga Dorita (Carmen Miranda)
descobrem que o moço já e comprometido. The
Lady in the Tutti Frutti Hat é a performance gigantesca que abre Entre a Loura e a Morena, na época, o apimentado
número surrealista causou muita polêmica.
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| Namie Amuro é uma das cantoras mais populares e influentes do Japão atualmente. |
“A música pop japonesa (J-POP) trata-se
de um sistema industrial complexo e único onde televisão, publicidade,
tecnologia e internet são combinados para criar produtos globalizados.
Estratégias de marketing precisas e condicionadas por diferentes mídias
(televisão, propaganda, karaokê e downloads em aparelhos de celular) são
máquinas que representam a disseminação da cultura e resultam em milhões de
discos vendidos a despeito da crise da Indústria discos físicos. Esse estilo
musical dissipou as sombras estabelecidas pela cultura de mangá, videgames e
animação japonesa.
![]() |
| Gackt |
Com
o objetivo de atingir o maior número de público possível, artistas e produtores
tem de atender aos desejos da mídia, sujeitos ao consentimento da marca que
está promovendo a imagem da banda/artista. Para fazer uma música, por exemplo,
produtores e compositores têm de produzir de cerca de 15 a 30 segundos da faixa
(esta precisa atender a demanda da massa, sendo algo de fácil digestão para os ouvidos
do grande público) diretamente para seus patrocinadores. Uma vez que a faixa de
poucos segundos é aprovada, a música completa será criada e se tornará a música
título do álbum. Assim como a imagem do ídolo, a música será moldada para
melhor representar a marca (cantoras para cosméticos, cantores para bebidas
alcoólicas, por exemplo).
Outra mídia, ainda mais influente e
tipicamente japonesa é o karaokê. No Japão, trata-se de uma Indústria por si
só, estando em terceiro lugar nas vendas da indústria de lazer. Grandes redes
de empresas possuem centenas de karaokê boxes ao redor do país. Esses
estabelecimentos são totalmente dedicados ao karaokê, 24 horas por dia, 7 dias
por semana. Participar dessa rede de enorme alcance de público é vital para as
gravadoras. Por conta disso, os produtores de J-POP são rígidos com os
compositores do ramo: as músicas principais de um artista (aquelas faixas do
disco que ganham videoclipes e são promovidas em performances ao vivo) precisam
ter melodias simples e letras fáceis de se cantar. Assim sendo, a música tem de
estar pronta para o uso na mídia tradicional e para ser cantada pelo público
dos karaokês. Além disso, apresentando mais oportunidade de consumo, houve a
chegada dos modernos aparelhos de celular. A despeito do que o senso comum pode
nos fazer pensar, esses aparelhos em sua forma mais moderna surgiram no Japão
ainda nos anos 90, bem antes dos Smartphones do Ocidente. 9 de cada 10
japoneses possuíam celulares que conectavam-se a internet. (...) Os Japoneses vem baixando MP3 desde 1995.” (STÉPHANE
CHAPUY, 2010).
No tocante aos artistas e bandas, o que
temos do Japão é o que se chama de Idol
System, em uma tradução livre, “sistema de ídolos”, onde personalidades da
mídia são criadas de forma a instigar o consumo (de seus CDs/DVDs e de produtos
diversos que usam sua imagem para conseguir popularidade e ganhar em vendas).
Bruno Latour (2005) diz que talvez uma abordagem consistente acerca das marcas
que contém os ídolos, seja considerá-las unidades distribuídas sobre uma rede
de atores que faz com que as interações aconteçam. Isso significa que os ídolos
não apenas promovem a venda de produtos e serviços, mas são produzidos pelos
produtos e serviços que eles mesmos vendem. Sem algo para anunciar, o ídolo
perde a importância. Isso também funciona como algo que leva o consumidor
japonês a interessar-se mais pelo mercado interno.
Mais que ídolos vendendo produtos, o que
temos é um sistema de comodidades que vende os ídolos. Focando somente no ídolo
e somente nele, pode-se perder a noção da rede de relações que o está
produzindo. Equivocadamente acredita-se que as marcas os produzem para aparecer
na TV ou em qualquer outra mídia, mas o sistema capitalista também precisa de
alguém para ser o “garoto(a) propaganda” e alavancar vendas. O ídolo então é
uma ponte na rede do sistema capitalista no Japão que liga o consumidor ao
produto. Isso ocorre de forma eficiente devido ao fato do Japão possuir uma
cultura de mídia que cultua e supervaloriza as celebridades usando mecanismos
específicos para a criação de intimidade entre público e pessoa pública. Um
desses mecanismos é a superexposição, de acordo com Latour (2005): os japoneses
são expostos frequentemente a esses ídolos em toda parte, revistas nas bancas,
anúncios na frente das lojas e outros estabelecimentos, outdoors espalhados por
todos os lugares, programas de variedades na TV, anúncios na internet e até
mesmo nos noticiários. Dessa forma, um determinado rosto sempre acaba sendo
familiar.
P.S.
Para mais informações a respeito da relação entre público e persona na cultura
japonesa, conheçam o livro Idols and
Celebrity: Japanese Media Culture de autoria de Patrick W. Galbraith &
Jason G. Karlin. Está disponível em PDF gratuitamente na internet. É só dá um Google!



























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