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Andrea Locci é de fato uma figura. Do rolê, com certeza ele é aquele que está sempre inventando alguma piada momentanea. Andrea é um aficcionado por tênis. E foi por isso que começou a imaginar cenas de sexo criadas apenas pelas posições dos pés (quem nunca?), com os mais variados modelos de sneakers. Dá para seguir o projeto no instagram. 









Lucile

Maria Grazia Chiuri é a primeira mulher a dirigir a Dior, mas você sabia que, ao lado do fundador da casa, lá em 1946, três delas cumpriram um papel fundamental para que a maison alcançasse a relevância que tem hoje?

Moda tecnológica é com Hussein Chalayan, certo? Mas, e o trabalho de Elisabeth de Seneville, já ouviu falar? E o lado estilista da artista plástica Sonia Delaunay, conhece? Muitas mulheres foram importantíssimas para a história da moda e, no entanto, não receberam o destaque que mereciam no decorrer de suas carreiras. A desigualdade de gênero que ainda é uma realidade nesta área, e em tantas outras, tem papel fundamental nesse fenômeno. Aqui, (pelo menos) tentamos equilibrar essa balança jogando luz sobre estas estilistas, artistas, empresárias e criativas que precisam fazer parte do seu repertório fashion.

Louise Chéruit

Uma #GirlBoss no século 19
Louise Cheruit

Apesar de pouco citada, a francesa nascida em 1866 foi um dos maiores nomes dos primórdios da alta-costura. Ao lado de Jacques Doucet, Jeanne Lanvin e Charles Worth, Louise ajudou até a definir o que, no futuro, se tornaria a Chambre Syndicale do setor.
Filha de costureira, antes de fundar uma casa com o seu próprio nome, ela se juntou a uma amiga – Marie Huet – para dar os seus primeiros passos no circuito couture. A Huet & Chéruit começou pequena, mas logo foi parar na Place Vendôme – epicentro da alta-costura, em Paris.
Em algum momento de sua história (não se sabe ao certo), a maison tornou-se somente Chéruit, e era conhecida por trazer opções menos formais às mulheres da época. No entanto, com o passar dos anos, a casa foi crescendo e acumulando outras atividades: peles, vestidos de noite e de casamento, lingerie e até roupas infantis entraram para o catálogo da etiqueta.
Em 1909, Louise assinou um documento que acabou sendo o responsável por uma das primeiras “dança das cadeiras” da moda. Lá estava estipulado que ela comandaria o ateliê até 1914. Depois disso, nada de fechar as portas já que suas duas parceiras – Madame Boulanger e Madame Wormser – assumiram as rédeas da maison e a fizeram brilhar com seus bordados cubistas até 1933.
Além de ser uma das poucas grifes comandada 100% por mulheres, ela ainda deixou o ponto na Place Vendôme para outra notável: a italiana Elsa Schiparelli.

Lucile

Nem um Iceberg segura o seu sucesso.
Lucile

Seu nome verdadeiro é Lucy Christina ou Lady Duff-Gordon. Pode chamar como quiser, desde que se reconheça o seu valor para a história da moda. Para começo de conversa, a britânica que veio ao mundo em 1863 deu o start em sua carreira como costureira quando se separou de seu primeiro marido (sim, ela teve mais de um, mesmo naquela época). E não pense que demorou muito para que ela deixasse de costurar em casa e construísse o seu próprio ateliê. Em 1893, estava aberta a Lucile.
O sucesso de seus vestidos drapeados em tons pastel foi tanto que, em 1915, a couturier era a única a ter pontos de venda em três países diferentes. Além de Londres, Nova York, Chicago e Paris também tinham endereços com seu nome.
No quesito inovação, foi ela quem inventou a ideia do desfile. Na época, ele era chamado de “mannequin parade”. Treinadas por Lucile, as modelos caminhavam por palcos ao som de música tocada ao vivo em eventos fechados para convidados VIP. Ela também foi uma das primeiras a criar coleções com preços mais baixos para grandes lojas. A sua parceria foi com a Sears.
O mais inacreditável, no entanto, é que Lucile foi uma das passageiras do navio Titanic, que chocou-se com um iceberg em 1912. Ela e seu marido escaparam da tragédia pelo Lifeboat número 1.

Sonia Delaunay

Uma feminista colorida
Sonia Delaunay
Seu trabalho na arte é extremamente reconhecido (e muito merecidamente, diga-se de passagem). No entanto, a moda de Sonia Delaunay (1885-1979) – apesar de inovadora – não ganhou os holofotes com tanta frequência. Imagine que os mesmos conceitos que ela aplicava em suas telas serviam para as roupas. Não tinha como dar errado.
Sonia e seu marido, Robert, ficaram conhecidos pelos seus estudos relacionados à cor. Eles são os grandes nomes do Orfismo – uma corrente artística que transportou as cores vivas do Fauvismo (ali aplicadas em desenhos orgânicos) ao universo gráfico e geométrico. Assim, também funcionava a estamparia da artista (e estilista) que foi uma das primeiras a criar tecidos já pensando para se adaptaram ao corpo.
O corpo, inclusive, é um grande tema da sua contribuição para a moda. Para ela, respeitar o corpo da mulher era uma obrigação de quem se propunha a criar uma roupa. Suas peças tinham que servir para todas as necessidades de suas clientes na época: trabalho, festa, esporte… Ou seja, nada que aperte ou prenda, bem no mood Gabrielle Chanel.
Vale também destacar os seus “vestidos-poemas”, que levavam palavras de escritores como Tristan Tzara e Philippe Soupault, entre outros amigos surrealistas ou dadaístas.

Madame Raymonde, Madame Marguerite e Madame Bricard

As três mosqueteiras de Dior
Dior
Christian Dior era conhecido por estar sempre cercado de mulheres que o inspiravam de alguma maneira. No entanto, pouco se fala sobre elas. Tanto que, numa rápida pesquisa de Google, os nomes de Raymonde Zenacker, Marguerite Carré e Mitzah Bricard dão pouquíssimos resultados eficazes.
A primeira delas conheceu o próprio Christian quando ele ainda era um dos estilistas secundários da Maison Lelong, do couturier Lucien Lelong. Naquele momento, reconhecendo o seu talento, ela disse que para onde ele fosse, iria logo atrás. Assim, em dezembro de 1946, Zenacker foi uma das cinco primeiras pessoas a colocar os pés no icônico endereço Avenue Montaigne, 30. Ali, ela entrava na casa no posto de diretora de estúdio.
Marguerite Carré foi a primeira première de Christian, ou seja, sua primeira diretora técnica. Ela era responsável por coordenar as equipes de costureiras (todas trazidas do ateliê de Jean Patou, outro grande costureiro da época) para traduzir os desenhos do estilista nos vestidos incríveis que a casa confeccionou ao longo de sua história.
Por fim, Mitzah Bricard que, apesar de ser a encarregada pelos chapéus e cabeças da etiqueta, funcionava também como musa para o fundador da marca. Seu estilo carregava algumas características muito marcantes. Era raro vê-la sem seu chapéu que deixava uma tela cair sobre o rosto, alguma peça em estampa de leopardo e pérolas em volta do pescoço. Até John Galliano, em seus tempos à frente da grife, dedicou o Resort 2010 à Madame Bricard.

Elisabeth de Senneville

De volta para o futuro
Elisabeth de Seneville
A francesa Elisabeth de Senneville começou a trabalhar com moda antes de completar 20 anos. No entanto, foi só em 1975 (aos 30) que ela realmente colocou o seu nome na história ao criar a sua própria etiqueta.
Se por um lado a designer apostava em shapes simplificados como pedia a cartilha de estilo da década anterior, a sua preocupação com a tecnologia dava a pimenta que suas roupas precisavam. Plástico, borracha, fios de cobre, e até uma espécie de tecido anti-incêndio serviram de matéria-prima para suas peças.
A estética, não à toa, era 100% futurista. A ideia era criar uma roupa que respondesse às necessidades de uma mulher que ainda nem existia. Pense em vestidos que protegem a pele do sol ou que mudam de cor conforme a sua temperatura!
“Eu gosto de me descrever como uma designer do futuro e da tecnologia. Sempre tento imaginar roupas que possam ser usadas depois dos anos 2000”, dizia. De tão avançadas, algumas de suas peças se mantém completamente vanguardistas ainda nos dias de hoje.

Sybilla

A arquiteta espanhola
SYBILLA
Sybilla nasceu nos Estados Unidos, mais especificamente em Nova York, mas passou a vida toda na Espanha e foi lá que conheceu e pegou gosto pela moda: no mesmo país de Cristóbal Balenciaga.
Há quem diga que ela é segunda maior estilista da nação depois dele, que ficou conhecido como o “mestre dos mestres”. Se Cristóbal era o purista que pensava muito mais na estrutura e na forma de uma peça do que em suas texturas ou cores, Sybilla unia os dois mundos e adicionava romance e humor a criações impecavelmente bem construídas.
Sua etiqueta surgiu em 1983 e não demorou para crescer. Desfilou em Milão e em Paris durante algumas temporadas e, com isso, expandiu seu negócio fazendo vestidos de festa e cosméticos. Rolou até uma colaboração com a Louis Vuitton, dá para acreditar? Em, 2005, contudo, Sybilla se afastou do mundo fashion e se mudou para a ilha de Mallorca. Por lá, deixou crescer e florescer a sua paixão pela agricultura e pelo lado social dessa atividade que sempre investiu e, inclusive, foi um dos grandes motivos de seu comeback, em 2015. A estilista voltou com controle total de suas atividades, desde a produção do tecido até as vendas em sua loja em Madrid. Atualmente, é possível acompanhar seu trabalho pelo Instagram da marca.

Jenny Meirens

O rosto escondido de Martin Margiela
Martin Margiela
Não é segredo para ninguém que Martin Margiela é um dos nomes mais reverenciados do mundo da moda. No entanto, o que poucos sabem, é que por trás do misterioso belga, escondia-se Jenny Meirens, uma mulher extremamente sensível para captar o espírito de seu tempo e de olhar aguçado para a subversão do belo.
Entre as suas contribuições para o sucesso da Maison Margiela (além de ter descoberto o designer em um concurso na Bélgica) está a ideia de deixar as peças da marca sem etiqueta. Aliás, o próprio estilista, a princípio, foi contrário a essa proposta posteriormente tão elogiada. Para agradar a gregos e troianos, eles deixaram as roupas sem label, mas, em contrapartida, quatro pontos costurados em branco tornaram-se o registro distintivo de suas criações.
Meirens, na verdade, não era apenas uma sócia do belga, mas também ficava com o lado business da empresa. Se o design controverso e de difícil assimilação do estilista se tornou rentável, a responsabilidade é de sua gestão inteligente e corajosa. Segundo ela, a dupla nunca tinha dinheiro para nada e, por isso, era obrigada a criar soluções cada vez mais baratas – e criativas – para resolver seus desfiles, coleções, lojas, etc.
Em 1997, foi Meirens quem fechou o contrato da Hermès com Margiela. Apesar de muito criticado “por ter se vendido” para uma marca de luxo muito mais comercial, o estilista conseguiu aproveitar o dinheiro que ganhou nesses seis anos por lá para investir em sua própria etiqueta. “Nós éramos completamente independentes: tanto criativamente quanto financeiramente”, disse para a T Magazine, do New York Times. “A liberdade era o mais importante de tudo, é claro. Esse foi sempre o nosso objetivo.”
Repost: ELLE

"A vida _como o leite_ não está nem aí pra sua pressa, pro seu momento, pra sua decisão. Por isso você tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A ignorar." Trecho de um texto sobre saber esperar as coisas acontecerem no devido momento. Como lidar com a expectativa? O que aprendemos com a "lei do leite que transborda"? Devemos aprender a lidar com que não acontece exatamente na hora que queremos que aconteça. Sendo assim, não digo (e nem a Fabíola Simões), que deva simplesmente não fazer nada e apenas esperar sentado cair do céu. Claaaaro que não! Porém, vamos lidar com o desagradável, "porque não comigo agora?", será mais fácil suportar. E não irão ter problemas de insônia. 
O que isso tem a ver com o lindo trabalho artístico do Mexicano Oscar Sanchez? Bem, teoricamente nada. Filosoficamente, nada também. Confesso, adorei o texto que faz uma interação interessante sobre expectativas com o "ferver do leite". E porque esse texto? Bem, o titulo dessa obra de Sanchez se chama "MilkThology" que é mais ou menos a "teoria do leite". 

Se liguem no sentimentalismo dessa arte envolvendo o "leite" e vacas como principais modelos a serem apreciados de uma forma meiga e divina e não num espeto de uma churrascaria. Talvez você tenha uma sensação diferente ao olhar esse animal depois de agora. 




Ensaio sobre a Cegueira (2008), dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, 2002). Brasil, Canadá e Japão produzem essa adaptação da obra homônima de José Saramago.
Cena de Ensaio Sobre A Cegueira (2008)

O exagero nos tons brancos do filme sugere uma atmosfera um tanto irreal e isso não se dá por acaso, a cegueira, sem explicação lógica, torna-se símbolo. É exatamente disso que se trata, Ensaio sobre a Cegueira é envolto de simbolismo. Seu pressuposto principal pode ser entendido da seguinte forma: o que acontece quando deixamos de ver a humanidade do outro? A partir disso, somos levados a diversas leituras acerca do que é ser humano e do que é deixar de ser humano, o que é abrir mão da própria humanidade e/ou da humanidade do outro. Além disso, o filme não deixa de sugerir algo acerca da resolução do problema: enxergar o outro não dá-se de uma hora pra outra, é um processo gradual. E é bem provável que passemos o resto da vida lutando contra nossa cegueira no sentido de torná-la menos severa.

Nascido em 1972 em Charleroi. Raphael Vicenzi é um artista incrível, inspirado pela vida, arte, moda, colagem, arte de rua, design gráfico, música alta ... Bem, por tudo que inspira cultura. Porém, o que mais chama atenção, de fato, é seu trabalho com colagens. Como se nota, é de tamanha criatividade, envolvendo fotografia, moda e cores.






Mais trabalhos e redes pessoais de Raphael, aqui.
Quando se trata de grafite, temos que falar do incrível trabalho de Fintan Magee, um artista de um graffiti diferente do tradicional, pois nos últimos anos seus murais de guerrilha muitas vezes habitam os cantos isolados, abandonados e quebrados da cidade.




Nascido em Lismore NSW, Fintan Magee se mudou para Brisbane quando criança e começou a desenhar logo em seguida. No início da adolescência ele foi exposto a cultura do grafite de Brisbane.





Expôs em toda a Austrália e foi selecionado como um dos finalistas para os prêmios de arte Prometheus, Churchie e Lethbridge e recebeu a escolha do povo no prêmio de arte Cliftons, Brisbane. Uma figura de destaque no movimento da Austrália mural contemporânea Magee concluiu projetos de grande escala em Los Angeles, Viena, Jacarta, Londres, Dublin, Oslo, Copenhaga, Hong Kong, Sydney, Melbourne e Brisbane. O cara se garante muito.


Em 2012, após uma residência de 4 semanas nos estúdios AASI em Jacarta, ele foi convidado para colaborar em uma instalação em grande escala com indonésia Ruangrupa coletiva. A peça foi incluído no 7 Asia Pacific Trienal de Arte Contemporânea em QAGGoMA. E não para por ai, em 2013 ele foi convidado para participar do Jakarta Bienal de Arte Contemporânea. 




Sua diligência, habilidade técnica e abordagem progressiva para a arte de rua fazem dele um dos da Austrália deve observar jovens artistas emergentes. Devo confessar que sempre tive muita vontade de grafitar, acho o trabalho muito legal e sem falar que deixa sim a cidade mais bonita e colorida, uma pena que não é fácil não. :( Mas ainda não n desisti, vai que algum dia desses tem minha arte em muros da cidade, rsrs e minha inspiração será nada menos que Fintan Magee. 




Encontre Fintan magee nas redes sociais:
 * Flickr *  Site  * Facebook *






Que Horas Ela Volta? Filme brasileiro de 2015 estrelado por Regina Casé e com direção de Anna Muylaert.

O drama faz uma crítica à maneira com que as relações de classe se estabelecem na sociedade brasileira. Gradualmente, somos expostos a um contexto bem estabelecido e equilibrado da convivência de uma doméstica com  sua patroa. Há um estado de bem estar, do ponto de vista opressor, que sente-se a vontade nao só em saber que a hierarquia inevitável dessa relação profissional existe, mas também de sentir que, psicologicamente, o oprimido se sente inferior. A patroa, com sua condição diante da doméstica oprimida, sente-se a vontade. Mas a partir do momento em que esse controle é ameaçado por uma figura que não se sente inferior por conta de sua baixa renda, o preconceito mascarado de gentileza é exposto.
A protagonista interpretada por Regina Casé não é estática. Descobrimos nela uma transformação a partir do momento  em que percebe seu estado de oprimida. Assim, temos dois lados, intermediados por um terceiro. A patroa opressora, a doméstica oprimida e a jovem esclarecida que media esse contato e leva sua mãe (a doméstica) ao esclarecimento. Além de criticar a maneira com que tais relações acontecem e a hipocrisia dos discursos vazios e belos de uma classe dominante, Que Horas Ela Volta? Também retrata a conquista da autoconsciência e aponta para o futuro, representado pela adolescente que pertence a uma geração diferente, que conhece seu poder de transformar e que não mais acredita que o valor do ser humano é medido pelo seu poder aquisitivo.

P.S. Não dá pra ignorar o quão boa atriz é a Regina Casé. <3
P.S. (de novo) Quando a Globo Filmes quer, ela faz sim Cinema fora da caixa (só queria que fosse com bastante frequência...).

Há mais de 50 anos, o inglês Anthony Burgess lançava o romance A Clockwork Orange (Laranja Mecânica), trazendo nele crítica social, aspectos psicológicos que podemos considerar autobiográficos, visto o desprezível evento ocorrido à sua mulher e um mundo que me fascinou e que considero genial até os anos presentes, pois, mesmo 52 anos depois, a reflexão trazida por sua obra é transcendental, sempre foi desde de seu lançamento. No ano de 1971, o americano Stanley Kubrick dá ao mundo sua adaptação para o cinema do romance.


Laranja Mecânica nos leva ao uma autoanálise, esta ocorre mais precisamente em relação ao nosso discurso. Nós pensamos mesmo o que pensamos ou apenas reproduzimos maquinalmente discursos que soam belos aos ouvidos? A autonomia de nossa “ideologia”, “filosofia de vida”, “moral”, “ética”, chamem do que quiser, é posta em questão. As respostas para perguntas como “Por que matar é errado?”, “Por que descriminar é errado?”, “Por que devemos respeitar?”, por exemplo, parecem óbvias. Porém, no ápice de nossas contradições internas, tais respostas poderiam soar genéricas, advindas de anedotas comuns. Se essas perguntas possuem respostas tão óbvias e se todos dividimos de uma mesma consciência, porque então a intolerância e o desrespeito são tão comuns em nosso cotidiano? É nesse sentido que Laranja Mecânica sugere uma atmosfera em que respostas prontas são vendidas por meio de todos os veículos midiáticos, não há uma construção de consciência autônoma por parte dos indivíduos e sim um condicionamento em relação a repostas que, convenientemente, contrastam com ações que consideramos condenáveis.
Posso citar, a partir de uma experiência profissional minha, um bom exemplo para ilustrar isso. Durante uma aula no ensino fundamental, pedi que meus alunos escrevessem um texto pequeno em que o tema principal fosse ‘Preconceito’, mais especificamente, o que esses eles conheciam a respeito e, se conheciam, que dissertassem acerca disso. O resultado foi o esperado, os alunos fizeram apologia à tolerância e ao respeito, todos mostraram-se contra as ideias pré-concebidas. Entretanto, o que eu observava em sala de aula era exatamente o comportamento oposto. Durante uma temática de Religião em que crenças diversas são estudadas, há uma reação de reprimenda a respeito do ateísmo, há anedotas que envolvem o colega de sala gay, ou ao menos o que possui características que os demais ligam de alguma forma a um suposto “comportamento gay”, etc. O abismo entre a teoria, por assim dizer, e a prática é gritante. Mas isso não é algo que encontramos apenas em sala de aula com adolescentes, no meio social, lidando com adultos, esse comportamento é comum.
Em síntese, parecemos ter um discurso pronto quando percebemos que estamos sendo analisados, um discurso belo, respeitável e agradável aos ouvidos para mostrar aos demais que não somos aqueles monstros preconceituosos que adoramos condenar na tentativa de ressaltar a nós mesmos enquanto pessoas esclarecidas. É exatamente isso que ocorre com a personagem de Burgess, Alex. Ele passa a ser condicionado a reagir de determinada forma sempre que necessário, não porque condene as ações que considera erradas ou mesmo por preocupação com o próximo, mas apenas para preservar a si mesmo, sem pensar, sem argumentar, diz o que todos querem ouvir.
 
Texto postado originalmente em wviniciuss.wordpress.com


 Road Movies são filmes que tem sua trama ambientada durante uma viagem por terra; é o momento em que acompanhamos a história de um personagem (ou mais de um) que, por alguma razão, decide pôr o pé na estrada. A história é contada enquanto seus protagonistas vão se locomovendo de um lugar a outro; a mudança de ares, geralmente, resulta na mudança interior deles. Nessa lista, 5 Road Movies pra quem gosta desse tipo de Cinema ou mesmo pra quem ainda não conhece muito e está interessado.

5. Thelma e Louise (1991)
Título original: Thelma & Louise
 Dirigido por Ridley Scott, o título é uma produção da MGM. Thelma (Geena Davis), casada com um marido controlador, põe o pé na estrada ao lado de sua amiga Louise (Susan Saradon), sem dar satisfações. Rumo ao México, as duas acabam virando procuradas da Polícia quase que acidentalmente. A aventura traz maior autoconhecimento para as duas e ao mesmo tempo fortalece seus laços de amizade. Imprevisibilidades são o ponto alto deste divertido road movie; drama e comédia na medida certa e uma pitada de ação fazem de Thelma & Louise um filme delicioso.

4. Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
Título original: Cinema, Aspirinas e Urubus
 Filme brasileiro dirigido por Marcelo Gomes. Nos anos 40, o alemão Johann (Peter Ketnath), fugido da Segunda Guerra, veio para o Nordeste trabalhar vendendo aspirinas nas cidades do interior. Durante a venda dos produtos, Johann costuma mostrar um vídeo sobre as aspirinas para seus compradores, os vídeos são exibidos em um projetor (o que transforma cada momento de divulgação em um pequeno cinema). Em sua viagem de caminhão, ele conhece Ranulpho (João Miguel), um retirante que está tentando chegar ao Rio de Janeiro. Esse encontro acaba mudando a vida dos dois.

3. Transamérica (2005)
Título original: Transamerica
 Produção americana dirigida por Duncan Tucker. Bree (Felicity Huffman) é uma transexual em processo de alteração de sexo. No entanto, pouco tempo antes do procedimento cirúrgico, ela recebe uma ligação de Nova York informando-a da existência de um filho seu e que o mesmo encontra-se detido em um reformatório. A descoberta de um filho acaba com seus planos, pois sua psicóloga não pretende conceder a autorização para a cirurgia até que Bree resolva essa situação. Bree viaja para encontrar o filho nos levando a um tocante enredo ambientado nas estradas que ligam Nova York ao estado da Califórnia.

2. Alice nas Cidades (1973)
Título original: Alice in den Städten
 Com direção de Wim Wenders, Alice nas Cidades é um filme alemão que representa a primeira parte da Trilogia de road movies de Wenders. Em preto e branco, o filme nos apresenta o escritor alemão Philip Winter que tem de fazer um artigo sobre os Estados Unidos, onde está. No entanto, ele parece mais interessado em fotografar os lugares ao invés de escrever sobre eles. Quando decide voltar para a Alemanha, encontra uma mulher alemã na companhia de sua filha, Alice. Uma eventualidade acaba fazendo de Philip o responsável pela criança que agora tem de ser levada em segurança de volta a um cenário familiar. Esse é um filme muito importante na carreira do diretor e, particularmente o considero importante por ter influenciado um dos mais notórios cineastas brasileiros: Walter Salles. Em entrevista, o próprio Walter já declarou que Alice nas Cidades foi o que despertou nele a vontade de fazer Cinema.

1. Central do Brasil (1998)
Título original: Central do Brasil
 França e Brasil foram os responsáveis pela produção do road movie que rendeu a Fernanda Montenegro uma indicação ao Oscar. Dirigido por Walter Salles, Central do Brasil é, muito provavelmente, o filme brasileiro mais aclamado no mundo: dentre os prêmios mais importantes estão o Urso de Ouro de melhor atriz para Fernanda Montenegro no Festival de Berlim e o Globo de Ouro de Melhor filme estrangeiro. No roteiro, uma série de eventos nos levam a acompanhar a emocionante relação de amizade entre a senhora ranzinza Dora (Montenegro) e o garoto Josué (Vinícius de Oliveira) durante uma viagem pelo Brasil. Influenciadíssimo por Alice nas Cidades (1973) do alemão Wim Wenders, Walter Salles traz um filme singelo, cru e poético; um dos mais tocantes que já vi; consegue te levar as lágrimas sem ser apelativo, e não é nem um pouco adepto de sentimentalismo barato.
P.S. Walter Salles dirigiu o também road movie Na Estrada (On The Road, 2012) que conta com Kirsten Stewart no elenco.
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Ao juntar a fotografia com arte encantada é um tiro certo. E colorir fotos historicas é uma maneira criativa de revisitar o passado e compreender a história. Jane Long, uma fotógrafa australiana, transformou e adicionou um pouco de magia a uma coleção de imagens do artista romeno Costica 

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Acsinte, que morreu em 1984, era um fotógrafo de guerra romeno que atuou durante a Primeira Guerra Mundial. Em 2013, suas fotos danificadas foram digitalizadas pelo Costica Acsinte Archive para preservá-las, e foi nesta coleção que Long baseou-se para criar esta maravilhosa série que você confere a seguir.

Fotos históricas são transformadas em imagens mágicas e coloridas

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Gostaram desse lindo trabalho? Pois veja mais do trabalho de Jane Long em seu blog clicando aqui.